O remarketing para advogados é, sem dúvida, uma das estratégias mais eficiente, sem dúvida, uma das estratégias mais eficientes e paradoxalmente menos exploradas pelos escritórios de advocacia que investem em marketing digital. Na prática, trata-se da arte de impactar novamente pessoas que já demonstraram interesse, mas que, por algum motivo, não deram o passo final de entrar em contato.
As estatísticas de marketing digital mostram que cerca de 95% a 97% dos visitantes de um site saem sem realizar nenhuma ação imediata. Se o seu escritório já anuncia no Google Ads, produz conteúdo ou possui um site institucional com tráfego constante, é matematicamente certo que você está deixando dinheiro na mesa ao ignorar essa parcela gigantesca do seu público.
Neste artigo completo, vamos dissecar o remarketing: o que é, a psicologia por trás do seu funcionamento, como aplicá-lo com absoluta segurança ética (Provimento 205/2021 da OAB) e como evitar erros que queimam sua verba
1. O que é Remarketing (E como ele funciona tecnicamente)
Remarketing é uma estratégia de publicidade online que permite exibir anúncios personalizados para usuários que já interagiram com sua presença digital.
Como funciona nos bastidores? Tecnicamente, isso acontece através de um “pixel” ou “tag” (um pequeno código invisível) instalado no seu site. Quando um potencial cliente visita sua página sobre “Divórcio”, por exemplo, esse código marca o navegador dele com um “cookie”. A partir desse momento, as plataformas de anúncio (Google, Facebook, Instagram, LinkedIn) sabem que aquela pessoa tem interesse naquele tema específico e passam a exibir seus anúncios institucionais enquanto ela navega pela internet.
Diferente das campanhas tradicionais de tráfego frio (onde você busca desconhecidos), o remarketing dialoga com quem já te conhece. Na advocacia, onde a confiança é a moeda mais valiosa, essa segunda chance de causar uma boa impressão é inestimável.
2. Por que o remarketing funciona tão bem para advogados?
A principal razão está na natureza da Jornada de Compra. Ninguém contrata um advogado como quem compra um par de sapatos.
A contratação de serviços jurídicos envolve três pilares: Risco, Confiança e Urgência.
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Falta de Confiança Inicial: O cliente não sabe se você é bom, se vai resolver o problema ou se é apenas “mais um”.
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Comparação: Ele vai abrir o seu site e o de mais cinco concorrentes.
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Validação Social: Ele precisa de tempo para conversar com o cônjuge, sócios ou familiares.
O remarketing para advogados atua preenchendo esse vácuo de decisão. Ele mantém o nome do escritório no “Top of Mind” (topo da mente) do cliente. Quando o problema dele se tornar insustentável e a urgência bater, qual nome ele vai lembrar? Daquele site que ele viu uma vez e fechou, ou do escritório que continuou aparecendo com conteúdo útil e autoridade durante a semana toda?
3. Remarketing não é perseguição, é “Nutrição de Autoridade”
Existe um mito de que o remarketing é aquele anúncio chato que “persegue” o usuário. Isso só acontece quando a estratégia é amadora.
O remarketing para advogados bem feito deve ser encarado como continuidade de comunicação. É uma forma elegante de dizer: “Vi que você tem interesse neste assunto. Aqui está mais uma informação relevante que pode te ajudar.”
Desde que o conteúdo seja sóbrio e informativo, o remarketing não gera desconforto. Pelo contrário, ele passa a sensação de que o escritório é robusto, organizado e uma referência no assunto pesquisado.
4. O que a OAB permite? (Blindagem Ética)
Muitos advogados têm medo do remarketing por receio do Tribunal de Ética e Disciplina (TED). No entanto, o Provimento 205/2021 modernizou as regras, permitindo o impulsionamento de conteúdo, desde que não haja mercantilização. A ferramenta é permitida, o que muda é a mensagem.
O que é PERMITIDO e recomendado:
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Conteúdo Informativo: Promover artigos do blog que aprofundam o tema que o usuário pesquisou.
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Branding Institucional: Vídeos institucionais que mostram a estrutura do escritório ou a qualificação da equipe.
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Convites para Eventos/Webinars: Chamar o usuário para uma palestra online ou baixar um e-book técnico.
O que é PROIBIDO (Risco Ético):
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Chamadas de Ação (CTAs) Comerciais: Frases como “Ligue agora”, “Contrate já”, “Consulta Grátis” ou “Melhor Preço”.
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Promessa de Resultado: “Garantimos sua causa ganha”.
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Sensacionalismo: Usar imagens chocantes ou linguagem que explore a dor do cliente de forma vil.
Regra de Ouro: Se o anúncio tem caráter educativo e sóbrio, ele é seguro. O foco deve ser oferecer informação, não vender o serviço explicitamente.
5. Quais canais usar (Além do Básico)
Uma estratégia robusta deve ser omnichannel (multicanal), pois o seu cliente não fica apenas em um lugar.
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Rede de Display do Google: Seu banner institucional aparece em portais de notícias (G1, UOL, Terra) e blogs que o cliente visita. Isso gera uma percepção de “onipresença” e autoridade.
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YouTube: Talvez o canal mais poderoso hoje. Imagine o cliente assistir a um vídeo seu de 1 minuto explicando uma dúvida comum sobre a causa dele antes de ver o vídeo de entretenimento que ele escolheu. Isso cria conexão visual e humana.
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Redes Sociais (Instagram/Facebook): Ideal para formatos visuais e curtos. Ótimo para mostrar os bastidores do escritório ou pílulas de conhecimento.
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LinkedIn Ads: Essencial para a Advocacia Empresarial/B2B. Permite impactar novamente diretores e gestores que visitaram seu site, reforçando a expertise do escritório em direito corporativo, tributário ou trabalhista patronal.
6. A Estratégia de Segmentação: Não trate todos iguais
O segredo do ROI (Retorno sobre Investimento) no remarketing é a segmentação. Você não deve mostrar o mesmo anúncio para todos.
Exemplos de Públicos Estratégicos:
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Visitantes da página “Fale Conosco” (que não enviaram mensagem): Esse é o público mais quente. Eles quase contrataram. Mostre para eles um vídeo institucional passando segurança e credibilidade.
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Visitantes de Artigos Específicos: Se a pessoa leu sobre “Herança”, mostre anúncios sobre Direito de Família, não sobre Direito Trabalhista. A relevância é chave.
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Exclusão de Público (Negativação): Fundamental. Você deve excluir da campanha quem já entrou em contato. Não gaste dinheiro anunciando para quem já virou lead ou cliente. Isso demonstra desorganização.
7. Remarketing dentro do Funil de Vendas
O remarketing deve guiar o usuário na jornada:
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Topo de Funil (Consciência): O usuário leu um artigo básico.
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Anúncio: Ofereça um e-book ou um artigo mais denso e técnico.
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Meio de Funil (Consideração): O usuário visitou a página “Sobre o Escritório”.
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Anúncio: Vídeos dos sócios, tempo de mercado, premiações ou especializações da equipe.
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Fundo de Funil (Decisão): O usuário quase preencheu o formulário.
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Anúncio: Um convite sutil para uma conversa diagnóstica ou links para o WhatsApp do escritório (sempre respeitando a sobriedade).
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8. Erros Comuns que Destroem Resultados
Evite estas armadilhas clássicas:
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Frequência Excessiva: Aparecer 20 vezes por dia para a mesma pessoa gera “fadiga de anúncio” e raiva da marca. Configure um limite (ex: 3 a 5 impressões por dia).
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Criativos Genéricos: Usar apenas o logotipo do escritório sem nenhuma mensagem de valor.
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Página de Destino Errada: O usuário clica no anúncio sobre “Direito Previdenciário” e cai na “Home” genérica do site. Leve-o direto para a informação prometida.
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Ignorar o Mobile: A maioria dos acessos virá pelo celular. Se seu site ou anúncio não abrir bem no mobile, você perdeu o cliente.
9. Resultados Reais: O que esperar?
Escritórios que implementam remarketing estratégico observam:
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Redução do Custo por Lead (CPL): Frequentemente, o clique do remarketing é mais barato que o tráfego frio.
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Aumento da Taxa de Conversão: O lead que vem pelo remarketing já está “educado” sobre quem você é.
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Qualificação Melhor: O cliente chega na reunião sabendo mais sobre o escritório, reduzindo o tempo de explicação comercial e aumentando a confiança.
Conclusão: O Elo Perdido do Seu Comercial
Remarketing não é mágica, é lógica. É a estratégia mais inteligente para escritórios que desejam otimizar o orçamento de marketing.
De nada adianta investir milhares de reais para trazer pessoas ao seu site se você permite que 97% delas vão embora para nunca mais voltar. O remarketing recupera essas oportunidades, respeita o tempo de decisão do cliente e garante que, no momento crítico da contratação, o seu escritório seja a única escolha óbvia.
Se o seu escritório gera tráfego, mas sente que a conta de leads não fecha, o remarketing é, muito provavelmente, a peça que está faltando na sua engrenagem de crescimento.